Publicado em 24 de Jan de 2014 por Leticia Maciel | Comente!
Inclusão de crianças portadoras de autismo na rede de ensino regular
é essencial para o desenvolvimento de suas habilidades.
Saiba como identificar o autismo infantil e o
caminho certo para o desenvolvimento das crianças.
A professora entra na sala no primeiro dia letivo na escolinha e a criançada, cheia de energia,
conversa e brinca para aliviar as expectativas. A única exceção é um garotinho sentado
na primeira fileira: calado, permanece o tempo todo com os olhos fixos em um ponto indetectável
pelos colegas de classe. Até que, durante a aula, ele repentinamente se levanta e começa a passear
pelo recinto. Ao tentar levá-lo para a carteira onde ele estava sentado, a professora é surpreendida
com gritos, arranhões e pontapés. Em seguida, o silêncio. O menino fecha-se novamente em seu
universo particular. Esse tipo de comportamento é comum em portadores de autismo e
acaba escondendo suas habilidades criativas e intelectuais — as quais podem ser desenvolvidas
com acompanhamento adequado e vivência escolar. Contudo, as reações aparentemente
desconexas representam também uma das muitas dificuldades que os educadores,
pais e familiares encontram para inserir o autista na sala de aula. Quando bem-sucedida,
a inclusão escolar traz benefícios à criança e às pessoas que convivem com ela.
conversa e brinca para aliviar as expectativas. A única exceção é um garotinho sentado
na primeira fileira: calado, permanece o tempo todo com os olhos fixos em um ponto indetectável
pelos colegas de classe. Até que, durante a aula, ele repentinamente se levanta e começa a passear
pelo recinto. Ao tentar levá-lo para a carteira onde ele estava sentado, a professora é surpreendida
com gritos, arranhões e pontapés. Em seguida, o silêncio. O menino fecha-se novamente em seu
universo particular. Esse tipo de comportamento é comum em portadores de autismo e
acaba escondendo suas habilidades criativas e intelectuais — as quais podem ser desenvolvidas
com acompanhamento adequado e vivência escolar. Contudo, as reações aparentemente
desconexas representam também uma das muitas dificuldades que os educadores,
pais e familiares encontram para inserir o autista na sala de aula. Quando bem-sucedida,
a inclusão escolar traz benefícios à criança e às pessoas que convivem com ela.
Mais informação, melhor inclusão
“Inserir o autista na sala de aula é a melhor forma de estimular as capacidades do portador.
Além disso, as outras crianças da turma aprendem a lidar com as diferenças e tornam-se
adultos com menos preconceitos”, explica César de Moraes, coordenador do Departamento de
Psiquiatria da Infância e Adolescência da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
“Devemos lembrar também o que é definido na Constituição: todo cidadão tem direito à saúde e
educação. Partindo dessa premissa, o autista é um cidadão e o processo educacional é o
mesmo”, completa Fábio Oliveira, da Associação Brasileira de Assistência e Desenvolvimento
Social (Abads). Para contribuir efetivamente com esse processo, é preciso entender o que, de fato,
é o autismo. De acordo com Francisco Baptista Assumpção Júnior, professor da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), trata-se de um transtorno de desenvolvimento
de base biológica que compromete a cognição (habilidade ligada ao aprendizado, memória,
percepção, entre outros atributos) e provoca alterações na sociabilidade,
na linguagem e na capacidade imaginativa do indivíduo. Sua causa ainda é um mistério.
“Acredita-se que fatores genéticos estão envolvidos, embora aspectos ambientais como
quadros infecciosos ou traumáticos — também podem estar relacionados.
Assim, não se deve pensar em uma causa única, mas sim em um conjunto delas,
o qual ainda, infelizmente, não foi esclarecido.”
Além disso, as outras crianças da turma aprendem a lidar com as diferenças e tornam-se
adultos com menos preconceitos”, explica César de Moraes, coordenador do Departamento de
Psiquiatria da Infância e Adolescência da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
“Devemos lembrar também o que é definido na Constituição: todo cidadão tem direito à saúde e
educação. Partindo dessa premissa, o autista é um cidadão e o processo educacional é o
mesmo”, completa Fábio Oliveira, da Associação Brasileira de Assistência e Desenvolvimento
Social (Abads). Para contribuir efetivamente com esse processo, é preciso entender o que, de fato,
é o autismo. De acordo com Francisco Baptista Assumpção Júnior, professor da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), trata-se de um transtorno de desenvolvimento
de base biológica que compromete a cognição (habilidade ligada ao aprendizado, memória,
percepção, entre outros atributos) e provoca alterações na sociabilidade,
na linguagem e na capacidade imaginativa do indivíduo. Sua causa ainda é um mistério.
“Acredita-se que fatores genéticos estão envolvidos, embora aspectos ambientais como
quadros infecciosos ou traumáticos — também podem estar relacionados.
Assim, não se deve pensar em uma causa única, mas sim em um conjunto delas,
o qual ainda, infelizmente, não foi esclarecido.”
